setembro 03, 2018

maio 29, 2018

e, no entanto.



"atrás do sol
prometeu-me um sinal todas as noites, um clarão, um risco no céu, um acender, um apagar. para que não restassem dúvidas apareceu-me à janela e aqueceu-me os ombros e o rosto. depois afastou-se, caminhando de costas com os olhos presos aos meus como dois feixes de luz. fiquei ali parada, ganhando raízes que se entranharam pelas frestas dos mosaicos, pelos tijolos, pelas tubagens, calcorreando paredes em busca de solo, de outras raízes, desviando-se de alicerces e de lençóis freáticos, correndo mais depressa que as horas do dia, mais ardentes que o próprio núcleo da terra, até chegar ao outro lado do mundo. e, no entanto."

[Sónia Oliveira.
... grata!!!]






maio 24, 2018

condição



"Somos todos feitos de partes que não podemos entender e é essa a nossa condição"
(Elsa Margarida Rodrigues)





fevereiro 19, 2018

fevereiro 09, 2018

vive o dia de hoje!



"Não penses para amanhã. Não lembres o que foi ontem. A memória teve o seu tempo quando foi tempo de alguma coisa durar. Mas tudo hoje é tão efémero. Mesmo o que se pensa para amanhã é para já ter sido, que é o que desejamos que seja logo que for. É o tempo de Deus que não tem futuro nem passado. Foi o que dele nós escolhemos no sonho do nosso absoluto. Não penses para amanhã na urgência de seres agora. Mesmo logo á tarde à muito tarde. Tudo o que és em ti para seres, vê se o és nesse instante. POrque antes e depois tudo é morte e insensatez. Não esperes, sê agora. Lê os jornais. O futuro é o embrulho que fizeres com eles ou o papel urgente da retrete quando não houver outro."
(Vergílio Ferreira in "Escrever")




dezembro 14, 2017

o tempo



"(...) Sei que tenho que esperar, sei que a duração da espera aumenta o impacto de tudo o que acontecerá depois. (...) O tempo. O decurso do tempo. A noção da duração de uma ação - ou a expetativa dela - varia conforme o ponto de vista em que nos colocamos, conforme a posição a partir da qual vivemos essa ação ou essa expectativa. É tudo tão relativo!... (...)"
(Álvaro Cordeiro in "Pena Máxima")